Nesta página estão reunidas as obras e pesquisas desenvolvidas ao longo do projeto, acompanhadas de registros visuais e fichas técnicas. As imagens, conceitos e processos podem ser explorados de forma livre e contínua, permitindo uma aproximação direta com os trabalhos e seus desdobramentos.
O PROJETO
Declinações Magnéticas nasceu em 2016 diante do fascínio da possibilidade de seres humanos detectarem a presença de campos magnéticos.
Experimentos apontam que uma parte da população é capaz de indicar a presença de campos magnéticos em uma sala escura, sem, no entanto, descrever de que maneira esta percepção se manifesta cognitivamente (quase como se não tivéssemos ainda uma linguagem, palavras para entender e compartilhar a sensação). É como se tivéssemos um sentido esquecido, adormecido, às vésperas de despertar.
O absoluto milagre que é a possibilidade da vida, em um infinito e inóspito espaço, no diminuto terceiro planeta do sistema solar, se deve à existência do campo magnético. Nascido do titânico movimento de oceanos de ferro e níquel liquefeito, a 3 mil km de profundidade, na parte externa do núcleo da Terra. É do embate destes fluidos em incessante movimento que as correntes elétricas são geradas e o campo magnético emerge, nos protegendo das tempestades solares e da radiação cósmica.
Em termos míticos, que muitas vezes este Declinações Magnéticas opera, o campo magnético é a deidade original, o útero que gestou a vida na Terra. Não existia vida antes de sua existência e todas as criaturas vivas evoluíram sob sua influência. Aves migratórias o usam como guia, tartarugas e peixes, que realizam grandes deslocamentos continentais, também. Marimbondos orientam a geometria de seus ninhos; com ele, raposas detectam suas presas sob a neve. Portanto, como tantos outros animais, incluindo mamíferos, existe a possibilidade concreta de que humanos sejam sensíveis aos campos magnéticos e tenham atrofiado este sentido no sedentarismo do processo civilizatório.
Declinações Magnéticas se apresenta em duas instâncias. Na primeira a Ío, acompanhada de cientistas e inventores, busca constituir um entendimento do campo magnético e construir estratégias concretas através de dispositivos e possibilidades fisiológicas de compartilhar de forma concreta e real a percepção magnética entre humanos; a segunda, pelo viés da arte, busca a possibilidade mítica e metafórica que nos comunique a potência de uma força que engendrou nossa vida no planeta e que permita nos guiar na escuridão.






