ROTAS CULTURAIS:
CURADORAS AO SUL

Istmo articula a presença de dez curadoras provenientes de oito países do continente, convocadas a atuar como instâncias críticas capazes de tensionar, contextualizar e projetar a produção artística do Rio Grande do Sul em diálogo com outros ecossistemas culturais sul-americanos.

Com trajetórias consolidadas em museus, bienais, coleções e plataformas independentes, essas profissionais mobilizam repertórios curatoriais atravessados por debates em torno de decolonialidade e crítica institucional, feminismos e dissidências, políticas da memória e do arquivo, territorialidade, ecologias, regimes de visibilidade e circulação transnacional.

Cada curadora permanece sete dias em Porto Alegre, período no qual realiza leituras de portfólio e estabelece interlocução com lideranças de governança cultural, agentes públicos e representantes de diferentes instâncias do sistema da arte local. A agenda inclui visitas a instituições culturais, ateliês de artistas e espaços de distintos perfis e escalas de atuação. Além disso, cada curadora atua como palestrante no curso de extensão Caminho do Peabiru, apresentando ao público gaúcho aspectos da cena artística de seu país e oportunidades de circulação — como espaços expositivos, editais e residências.

As visitas são mediadas por Laura Cattani, presidente do Instituto Cultural Torus e idealizadora do projeto, responsável por articular os encontros e acompanhar o desenvolvimento das atividades. Têm como objetivo consolidar relações entre instituições, fomentar cooperações e ampliar a inserção da produção artística local nos circuitos culturais sul-americanos.

Curadoras Visitantes
Argentina

NANCY ROJAS

Nancy Rojas (Rosário, Argentina, 1978) é curadora e docente, licenciada em Belas Artes com especialização em Teoria e Crítica pela Universidade Nacional de Rosário. Desde 2022 integra a equipe curatorial do Malba (Buenos Aires, Argentina).

É autora de Un horizonte acuoso. Ondulación y discontinuidad en el Arte Contemporáneo Argentino (Diego Obligado Galería de Arte, Buenos Aires, 2024) e Mugre severa (Caracol Ediciones, Buenos Aires, 2021). Em 2023, curou a exposição Vía pública, de Marcela Sinclair, no Malba. Em 2022, integrou a equipe curatorial de Las olas del deseo. Feminismos, diversidades y cultura visual 2010–2020+, realizada na Casa Nacional del Bicentenario (Buenos Aires), e, em 2021, curou Fugas no Centro Cultural Parque de España (Rosário).

Também realizou exposições em galerias e espaços independentes, investigando alguns dos cruzamentos sintomáticos do presente entre cultura queer, suas derivas micropolíticas e as imagens contemporâneas.

Foi cofundadora de espaços como Roberto Vanguardia (2004–2005) e Studio Brócoli (2006–2014) e atuou como curadora e pesquisadora no Museo Castagnino+macro, onde, até 2010, conduziu o Programa de Aquisições responsável pela formação da Coleção de Arte Argentina Contemporânea.

Argentina

SOFÍA DOURRON

Sofía Dourron (n. 1984, Argentina) é pesquisadora e curadora independente. Seu trabalho atual investiga as relações entre a perspectiva decolonial, a decolonização do inconsciente, algumas ideias do pós-humanismo, a filosofia ambiental e as práticas artísticas. Também dá continuidade às suas investigações sobre a institucionalidade da arte na América Latina, com foco nos paradigmas dos museus como dispositivos colonizadores e nas possibilidades de construir genealogias alternativas que escapem ao cânone universalista moderno.

Atualmente, é curadora de In the Order of the Stones, de Florencia Levy, no âmbito do projeto “Pavilion” da 15ª Bienal de Gwangju, e de Ojalá se derrumben las puertas, de Luciana Lamothe, no Pavilhão Argentino da 60ª Bienal de Veneza. Em 2023, foi Curadora Associada de THIS TOO, IS A MAP, a 12ª edição da Seoul Mediacity Biennale, em Seul.

Uruguai

JACQUELINE LA CASA

Artista visual, curadora e pesquisadora de arte contemporânea, é licenciada em Psicologia e mestre em Estudos Culturais com ênfase em Cultura Visual pela ARCIS Universidad, Chile. Foi diretora do Museo Nacional de Artes Visuales entre 2007 e 2009.

Entre seus projetos artísticos de maior destaque estão La hija natural de Joaquín Torres García (2000–2010), Museo Líquido (2007–2009), La Uruguaya (2010–2020) e ATACAMA 1670 (2015–2020). Sua obra integra coleções públicas e privadas no Uruguai e no exterior. Participou da Bienal de La Habana, da Bienal do Mercosul e da Bienal de Curitiba.

Recebeu o Prêmio da Cisneros Fontanals Art Foundation (Miami), o Prêmio FEFCA à trajetória artística no Uruguai e o Prêmio 59º Salão Nacional de Artes Visuais Margaret White, ambos concedidos pelo Ministério da Educação e Cultura de seu país.

Como pesquisadora, publicou o estudo La Hija Natural de JTG e fundou a Editorial CAC – Cuadernos de Arte Contemporáneo, na qual editou, entre outros títulos de sua autoria, Palimpsesto. Escritos sobre arte contemporáneo uruguayo (organizadora), Actos Públicos–Actos Privados. Archivos y democracia en el arte contemporáneo uruguayo e Arte contemporáneo en el Uruguay del siglo XXI, baseado em sua dissertação de mestrado em Estudos Culturais pela ARCIS Universidad (Chile).

Chile

JOSELYNE CONTRERAS CERDA

Curadora e pesquisadora em arte contemporânea. Doutoranda (PhD c.) em Curatorial Knowledge e diplomada em Pós-Graduação em Educação Universitária pela Goldsmiths, University of London; mestre e licenciada em Artes Visuais pela Universidad de Chile. É membro da Higher Education Academy do Reino Unido. Atualmente atua como curadora independente e como professora associada da Universidad Diego Portales e da Pontificia Universidad Católica de Chile.

Seu trabalho situa-se na interseção entre pesquisa e prática, entendidas como campos indissociáveis para o desenvolvimento de intervenções culturais. Sua atuação concentra-se em práticas e teorias curatoriais; pensamento curatorial e conhecimento corporificado; arte e política; estudos de museus, galerias e exposições; arte contemporânea latino-americana e internacional; e práticas anti/decoloniais, com ênfase na América do Sul.

Paraguai

ADRIANA ALMADA

Crítica de arte, curadora, escritora e editora. De origem argentina, reside no Paraguai desde 1984. Sua área de trabalho e reflexão é a arte contemporânea, tanto a partir da investigação sobre a produção artística quanto da curadoria e do colecionismo. Foi vice-presidenta da Associação Internacional de Críticos de Arte com sede em Paris (AICA) e presidenta da seção nacional, AICA Paraguai. Presidiu o Comitê Internacional de Prêmios da AICA e integrou os comitês de Congressos e Publicações. Curou exposições no Paraguai e no exterior, assim como projetos especiais para a Bienal Internacional de Curitiba (Brasil, 2011-2013-2015-2019), a Bienal SIART (Bolívia, 2016), a Bienal SACO (Chile, 2021) e o envio paraguaio à Bienal de Cuenca (Equador, 2009). Foi coordenadora curatorial da seção ibero-americana da Bienal de Valência (Espanha, 2007) e da Trienal do Chile (2009). É diretora artística da Coleção Mendonca de Arte Contemporânea (Paraguai) e curadora geral do projeto Pinta Sud Asu (Global Pinta). Publicou diversos livros sobre arte contemporânea, sendo o último “Paraguai e o sistema de arte” , recentemente lançado. Seus textos foram publicados em catálogos, jornais e revistas especializadas, assim como em volumes coletivos.

Bolívia

MARISABEL VILLAGOMEZ

Marisabel Villagómez, especialista em paisagens culturais na Cátedra UNESCO da Università degli Studi della Basilicata, desenvolveu uma trajetória consistente em curadoria e direção de exposições.

Em 2024, apresentou Foto Contemporánea de Santos Miranda e realizou uma instalação na Feira Internacional do Livro em El Alto, em homenagem a Antonio Paredes Candia. Realizou residência curatorial na Delfina Foundation. Em 2023, curou a exposição internacional Geografía de los saberes na Bienal de Santa Cruz.

Sua trajetória inclui exposições como Una geografía de los saberes, no Centro Cultural de España en Lima (2022), e Qhapac Ñan InSitu (2021–2022). Também dirigiu a Fundación Cultural del Banco Central de Bolivia (2020) e foi convidada para a BienalSur (2018). Em 2016, recebeu o prêmio pelo texto curatorial Lo normal.

Equador

SYL QUEZADA

Syl Quezada (Cuenca, 1972) é licenciada em Artes Visuais e engenheira comercial. É artista acreditada na AICOA – Archivo Internacional Central de Obras de Arte, gestora cultural, curadora e atualmente atua na Universidad de las Artes.

Com mais de dez anos de experiência no campo artístico, participou de exposições coletivas e individuais, tendo recebido prêmios em fotografia e pintura. Foi reconhecida como Magna Cum Laude e melhor graduada da Escola de Artes Visuais. Trabalhou com a teórica e curadora Guadalupe Álvarez e com o Dr. Juan Francisco Benavides em projeto dedicado a Marcel Duchamp.

Impulsionou projetos culturais relacionados ao patrimônio e à comunidade GLBTI da Isla Trinitaria. Como curadora, realizou projetos como Confluencias e Entre el Arte y la Historia de Durán, além de codirigir a Revista Tarpuk. Sua produção investiga a relação entre espaço observado e memória, articulando arquivo, arquitetura e estudos sociais.

Peru

FLORENCIA PORTOCARRERO

Florencia Portocarrero (1981) é curadora independente. Sua prática abrange escrita, pesquisa, docência e organização de exposições e programas públicos. Seus interesses concentram-se na revisão da história da arte a partir de uma perspectiva feminista e na problematização de formas hegemônicas de produção de conhecimento.

Formada inicialmente como psicóloga clínica, obteve o mestrado em Estudos Teóricos em Psicanálise na Pontificia Universidad Católica del Perú (2008–2010). Posteriormente, integrou o Programa Curatorial do de Appel Arts Centre (2012–2013) e, em 2015, concluiu um segundo mestrado em Teoria da Arte Contemporânea na Goldsmiths, University of London. Ministrou conferências em diversas instituições internacionais e publica regularmente textos sobre arte e cultura em revistas e publicações especializadas.

Em 2017/2018, recebeu a bolsa Curating Connections, concedida pelo DAAD Artists-in-Berlin Program e pela KfW Stiftung. Em Lima, atuou como curadora de programas públicos no Proyecto AMIL (2015–2020), foi assessora curatorial do Comitê de Aquisições de Arte Contemporânea do Museo de Arte de Lima (2018–2020), leciona desde 2018 na Maestría de Historia del Arte y Curaduría da PUCP e integra os coletivos Bisagra e Colección Cooperativa.

Colômbia

MARÍA ISABEL RUEDA

Cartagena, 1972. Vive e trabalha em Puerto Colombia.

María Isabel Rueda, nascida em Cartagena das Índias e residente em Puerto Colombia, tem concentrado sua prática artística na região do Caribe na última década. Ativa na cena artística colombiana desde os anos 1990, integrou o espaço El Bodegón e codirige La Usurpadora, projeto de residências artísticas em Puerto Colombia.

Participou da equipe curatorial do 45º Salón Nacional de Artistas e foi assessora na Biennale di Venezia. Editora de Tropical Goth e vencedora do Prêmio Nacional de Poesia 2021 com La Mata, colabora com La Casa de Meira e atua como docente em diversas universidades colombianas.

Colômbia

CAROLINA CERON

Carolina Cerón vive e trabalha em Bogotá, Colômbia. É professora e curadora.

Em sua prática, investiga o curatorial como um campo expandido e poroso, construído a partir da colaboração. Seu trabalho não se limita à exposição e ao espaço físico como dispositivos de produção de conhecimento, mas considera também as dimensões contingentes, afetivas, políticas e imprevisíveis que atravessam projetos, textos e eventos dessa natureza. Interessa-se pelas ramificações comunicantes desses processos e por seus limites, bem como pela escrita e pela linguagem como meios de tensionar e reconfigurar o pensamento curatorial.

É mestre em Artes Plásticas pela Universidad de los Andes (2006), possui pós-graduação em Design de Formatos Expositivos pela Elisava — vinculada à Universitat Pompeu Fabra (2008) — e mestrado em Culture Industry pelo Goldsmiths, University of London (2012).